Milhões de pessoas no mundo são atingidas pela epilepsia, mas além do componente neurológico, haverão componentes espirituais? Leia mais…

 

A Epilepsia foi colocada pela primeira vez na agenda da OMS (Genebra, Janeiro de 2015) como doença prioritária necessitando de uma ação coordenada a nível de cada país, dirigida aos seus aspectos médicos, sociais e conhecimento público. A doença já atinge 5% da população mundial.

 

Vários mitos envolvem a doença desde os primórdios da humanidade; por muitas vezes foi considerada como possessão demoníaca ou como doença infectocontagiosa pela “baba” do epiléptico. Vamos conhecer um pouco a evolução histórica e a visão atual da doença sobre os aspectos científicos e espirituais.

 

Evolução Histórica

 

A palavra epilepsia é de origem grega, eplmen – epi = em cima e lepsem = abater, significando fulminar, abater com surpresa, ser atacado, algo que vem de cima e abate o indivíduo. A epilepsia é uma doença conhecida desde épocas muito remotas da humanidade. Há relatos completos de uma crise secundariamente generalizada datados de 3.000 anos atrás, em linguagem acadiana. Outros relatos de casos foram descritos no Egito (1.600 a.C.), China (1.700 a.C.), índia (1.000 a.C.) e Babilônia (500 a.C.).

 

A correlação com o biótipo atlético levou a ÆTIUS(500 anos A. C.) a descrever a epilepsia como morbus herculeus, mas outros atribuem este termo ao fato de que Hércules teria sido epiléptico.

 

Antigamente se falava de epilepsia ou de ataque de epilepsia cada vez que um indivíduo perdia sua consciência de forma imprevista. Como as verdadeiras causas foram ignoradas durante muito tempo, por vezes era atribuída a forças mágicas ou foi reconhecida como de origem divina.

 

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As manifestações físicas convulsivas desta doença eram as únicas conhecidas na antiguidade, ignorando-se por completo as manifestações psíquicas. ESQUIROL, psiquiatra francês, foi o primeiro a chamar a atenção sobre as manifestações psíquicas da epilepsia, sob a forma de delírios, que considerava como estados de alienação associados à doença. Outros psiquiatras renomados, FALRET, em 1861 e MOREL, em 1863, assinalaram que a irritabilidade constitui um traço dominante do caráter habitual dos epilépticos.

 

Os aspectos psiquiátricos das epilepsias foram enfatizados com vigor, e os psiquiatras lidam com problemas epilépticos mais frequentemente que os neurologistas. As razões para esta ligação entre as epilepsias e a psiquiatria têm muitas causas. As epilepsias ainda estavam encobertas por um véu de misticismo nebuloso, mesmo na mente do médico com orientação cientifica no início do século XX. Pensava-se que a epilepsia fosse uma doença incurável, progredindo para um estado de demência, numa evolução marcada por episódios psicóticos. Costumava-se fazer generalizações a partir das formas severas para todos os casos, enquanto as formas leves não eram reconhecidas como tal ou são mantidas em segredo pela família do paciente. Além disso, os princípios do tratamento anticonvulsivo não eram largamente conhecidos e as drogas antiepilépticas com pouca ação sedativa ainda eram desconhecidas. O esclarecimento do substrato neurofisiológico da atividade epiléptica através do eletroencefalograma começou somente no inicio do terço médio do século XX.

 

A visão atual da ciência

 

A epilepsia é um distúrbio neurológico causado por atividade anormal de células nervosas do cérebro. Cada ano, centenas de milhares de pessoas no mundo são diagnosticados com o distúrbio do sistema nervoso central que provoca convulsões. Ao longo da vida, uma em cada 26 pessoas serão diagnosticados com ele.

 

Fases da crise epiléptica

 

Prodrômica

 

Esta fase começa poucas horas ou alguns dias antes da crise real e não deve ser confundida com a AURA. Sintomas prodrômicos incluem: cefaleia (dor de cabeça), irritabilidade, insônia, transtorno do humor (depressão) e agitação.

Aura

Uma aura precede uma crise em segundos ou minutos. É o início de uma crise e sinais focais da crise. Os sintomas dependem da localização do foco (descarga neuronal elétrica). A sensação de aura é sempre vaga e não descritível, levando a extremo medo. Sensações epigástricas estranhas, sensação de estar sonhando acordado, cheiro desagradável, etc. pode ocorrer. O paciente lembra-se da aura muito bem. Embora nem sempre é capaz de relatá-la com clareza o doente pode afirmar com certeza sobre sua presença (antes de perder a consciência).

Crise (Ictus)

Na maioria das crises há perda de consciência e o paciente não é capaz de relatar qualquer característica do ataque. Para isso, o médico depende do relato de familiares ou pessoas que presenciaram a crise. O paciente não possui a crise em sua memória.

Pós-crise (pós-ictal)

Esta fase pode estar ausente, pode ser breve ou pode durar várias horas, mesmo dias. Há usualmente um sono profundo, evoluindo com cefaleia, cansaço, irritabilidade, vômito, confusão, dores musculares e ataxia (dificuldade para andar). Paralisia transitória de parte do corpo, conhecida como “Paresia de Todd” pode ocorrer durante poucas horas ou dias. Fala alterada ou afasia pode ocorrer quando o hemisfério cerebral dominante do cérebro tiver sido envolvido. Comportamento alterado e crises emocionais podem ocorrer e se o paciente for contido pode se tornar violento.

A Aura epilética

A aura epiléptica é a parte das crises que ocorre antes da perda de consciência e para a qual se mantém uma recordação. No caso das crises parciais simples, a aura é a crise na sua totalidade. Este fenômeno epiléptico é consequência da ativação do córtex funcional por uma descarga neuronal anormal, unilateral, circunscrita e breve. O electroencefalograma de superfície é frequentemente fraco na detecção de mudanças durante uma aura isolada. A incidência de auras na epilepsia parcial permanece imprecisa e existem discrepâncias marcadas entre os autores. As auras viscerosensoriais e experimentais são observadas rigorosamente na epilepsia temporal. Uma sensação de medo é o sintoma afetivo mais comum, associado a descargas epilépticas de origem temporal mesial. Auras sensoriais espaciais, entre as quais se incluem as visuais, gustativas e vertiginosas, são mais frequentemente descritas na epilepsia extratemporal. As auras olfativas são raras; contudo, quando ocorrem, a etiologia mais provável é um tumor que afeta a amígdala e o hipocampo cerebrais. As auras somatossensoriais incluem sensações de adormecimento ou entorpecimento, sensação elétrica ou, muito ocasionalmente, dor. Não existe um acordo na classificação de determinadas auras, entre as quais se incluem as auras motoras, cefálicas e sexuais. O diagnóstico diferencial é extremamente heterogêneo e inclui a disfunção vestibular, hemicrania, AVC, alterações autonômicas, intoxicação por drogas e perturbações psiquiátricas.

 

As manifestações clínicas das auras epilépticas são extraordinariamente diversas e, portanto, o conhecimento da sua fisiopatologia, características, incidência e associação com os diversos tipos de epilepsia focal são a chave para obter um diagnóstico precioso.

As convulsões

As convulsões podem causar uma série de sintomas, desde momentaneamente olhando fixamente à perda de consciência e espasmos incontroláveis. Algumas desordens convulsivas podem ser mais suaves do que outras, mas mesmo as pequenas convulsões podem ser perigosas se ocorrerem durante atividades como natação ou de condução.

Os sintomas

Pelo fato da epilepsia ser causado por atividade anormal nas células cerebrais, convulsões pode afetar qualquer processo coordena seu cérebro. Sinais e sintomas de convulsão podem incluir:

  • Confusão mental temporária
  • Olhar enfeitiçado (olhar fixo perdido)
  • Movimentos espasmódicos incontroláveis dos braços e pernas
  • Perda de consciência ou consciente
  • Sintomas psíquicos
Os sintomas variam dependendo do tipo de convulsão. Na maioria dos casos, uma pessoa com epilepsia tenderá a ter o mesmo tipo de convulsões de cada vez, de modo que os sintomas serão semelhantes de episódio para episódio.

A medicina classifica as convulsões como focal ou generalizada, com base em como a atividade cerebral anormal começa.

Nas crises generalizadas, temos contrações involuntárias dos quatro membros, iniciando pela fase tônica e depois clônica, acompanhada ou não de sialorréia (produção excessiva de saliva) e/ou liberação esfincteriana (perda de controle urinário e fecal). As descargas originam dos dois hemisférios cerebrais, simultaneamente. Já as crises focais podem se manifestar de várias formas, a depender da origem do paroxismo epileptiforme: da região frontal, se expressa com manifestações motoras unilaterais, da região temporal com aura epigástrica ou de medo, com automatismos orais e gestuais e até deambulatórios. As crises parietais geralmente apresentam sintomas sensitivos, as occipitais com alterações visuais, como aura visual. As crises focais se originam de um dos hemisférios cerebrais, podendo atingir o hemisfério contralateral.

As convulsões podem ser divididas em dois tipos principais: Convulsões focais (parcial) e convulsões generalizadas.

A epilepsia pode começar em qualquer idade. Os estudos não identificaram uma idade de diagnóstico privilegiada, mas a taxa de incidência é maior em crianças e adultos mais velhos.

Estudos sugerem, porém, que os brancos não latinos são mais comumente afetados pela epilepsia generalizada do que as pessoas de ascendência Africano-Americano.

No geral, nenhum gênero é mais susceptível de desenvolver epilepsia do que a outro. No entanto, é possível que cada um dos sexos seja mais propenso a desenvolver certos subtipos de epilepsia. Por exemplo, um estudo descobriu que epilepsias sintomáticas são mais comuns em homens do que mulheres. Convulsões criptogênicas (convulsões sem causa conhecida) são mais frequentes nas mulheres.

A crise neonatal é a crise convulsiva que ocorre nas primeiras 4 semanas de vida.

A crise febril ocorre na infância, estando associada a episódio febril, sendo geralmente benigna quando não associada à infecção do sistema nervoso central em criança não epiléptica. Podem ser simples quando são curtas, com menos de 15 segundos de duração, com episódio isolado e sem sinais neurológicos focais ou complicadas quando ocorrer o contrário.

A crise provocada ou sintomática aguda geralmente é isolada mas pode ocorrer novamente se as alterações que a provocaram ocorrerem novamente. Como exemplo, temos as convulsões relacionadas à hipoglicemia.

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Os medicamentos que melhor controlam os dois tipos de convulsões podem diferir. Por exemplo, etossuximida, também conhecida por sua marca Zarontin, é eficaz na prevenção de crises de ausência, mas não tem qualquer efeito sobre crises parciais complexas. Dois outros medicamentos – fenitoína (Dilantin) e carbamazepina (Tegretol) – são útil no controle de epilepsia parcial complexa, mas pode realmente agravar crises de ausência. Portanto, é importante o acompanhamento médico especializado.

O estado de mal epiléptico mais grave é o estado de grande mal, onde os episódios se sucedem numa frequência de 1 a 12 por hora, sem que o paciente tenha a possibilidade de recobrar a consciência, havendo risco de vida pela possibilidade de ocorrer asfixia ou parada cardíaca.

A Hemisferectomia é um procedimento cirúrgico no qual um hemisfério cerebral (metade do cérebro) é removido ou inabilitado. Esse procedimento é utilizado para tratar várias desordens convulsivas nas quais a origem da epilepsia está localizada num amplo espaço de um único hemisfério cerebral. Isso é unicamente reservado para casos extremos nos quais as convulsões não respondem à medicação e outras cirurgias menos invasivas.

Alteração de conduta e distúrbios sexuais

A hipossexualidade global é um achado comum na epilepsia do lobo temporal, com diminuição da libido e da potência em homens e frigidez nas mulheres, que pode chegar ao grau de anestesia sexual total. Estes sintomas podem melhorar com o uso da medicação. Um pequeno número de pacientes apresenta parafilias, como sadomasoquismo, exibicionismo e fetichismo.

Um caso documentado nos Artigos de Neuropsiquiatria 2000;58(1): 178-180, relata uma paciente que durante a aura na epilepsia do lobo temporal sentia sensação de prazer como num orgasmo e que isso a fazia sentir-se envergonhada perante as pessoas. O Episódio foi comprovado por meio científicos e a paciente tratada com medicamentos durante 3 anos deixou de apresentar o sintoma.

Alteração de conduta e comportamento agressivo

Ocasionalmente, fatores psicogênicos podem desempenhar um papel importante na determinação da conduta, uma vez que impulsos dotados de carga afetiva têm maior probabilidade de adquirir controle quando as funções superiores estão comprometidas. A agitação e a irritabilidade por vezes são fatores proeminentes e o conteúdo paranóide do pensamento pode estar evidente. Em uma pequena minoria de pacientes com lesões cerebrais importantes, pode ocorrer um comportamento agressivo perigoso.

As causas da enfermidade segundo a medicina

A grande maioria das epilepsias são idiopáticas ou genéticas, ou seja, são alterações apenas funcionais que disparam as crises epilépticas, sem a presença de uma causa subjacente ou de qualquer lesão no cérebro. E se as epilepsias surgirem de uma lesão cerebral, são chamadas de sintomáticas ou estruturais. Como exemplo, temos os granulomas, tumores, isquemias, hemorragias, traumatismo cranioencefálico, assim como distúrbios metabólicos e hidroeletrolíticos. Temos também as infecções causadas por parasitoses, doenças infecciosas, sofrimento do bebê durante o parto. E não raro, provocadas por estímulos psíquicos quando assistindo programas de TV, jogos de computador, games, e ainda luzes estroboscópicas em boates.

Segundo a neurologista presidente da EpiBrasil, Maria Carolina Doretto , a maioria das epilepsias (70%) pode ser curável, e controlável por medicamentos distribuídos em toda rede do SUS. “Os outros 30% são chamadas de difícil controle. Exigem a associação de dois ou mais medicamentos, podem precisar de cirurgia de epilepsia ou da implantação de um dispositivo eletrônico, chamada de estimulador do nervo vago (na sigla em inglês – VNS – vagus nerve stimulation)”, diz a profissional. Segundo a presidente da EpiBrasil, existe uma porcentagem pequena das epilepsias que não é totalmente controlada com nenhum destes métodos. “Daí a necessidade de novos tratamentos, o que está ocorrendo com o canabidiol, CBD, um dos compostos derivados da maconha e que tem dado excelentes resultados no controle de crises refratárias a todos os tratamentos, especialmente em crianças com síndromes genéticas graves”, conclui.

A Epilepsia na visão Espírita

Na bíblia, encontramos a passagem do “menino epiléptico”, narrada por Mateus (17: 14 a 19), na qual Jesus, “tendo ameaçado o demônio, fez com que ele saísse da criança, que foi curada no mesmo instante”. No livro A Gênese, Allan Kardec explica que a “imensa superioridade do Cristo lhe dava tal autoridade sobre os Espíritos imperfeitos, chamados então de demônios, que lhe bastava ordenar que se retirassem para que não pudessem resistir a essa injunção”.

Como vimos existem diversas causas possíveis para a doença e a própria ciência não fecha questão. Muitas vezes, o paciente tem as convulsões e os exames realizados dão resultados normais. Manoel Philomeno de Miranda, no livro “Grilhões Partidos”, psicografado por Divaldo Pereira Franco, afirma que “mesmo nesses casos, temos que levar em conta os fatores cármicos incidentes para imporem ao devedor o precioso reajuste com as leis divinas, utilizando-se do recurso da enfermidade-resgate, expiação purgadora de elevado benefício para todos nós”.

Algumas pessoas, leigas, alegam que a epilepsia é uma mediunidade que deve se desenvolver. Porém, Manoel Philomeno de Miranda em “Grilhões Partidos”, diz que “não desconhecemos que toda enfermidade procede do Espírito endividado, sendo a terapêutica espiritista de relevante valia. Porém, convém considerar que, antes de qualquer esforço externo, há que se predispor o paciente à renovação íntima, intransferível, ao esclarecimento, à educação espiritual, a fim de que se conscientize das responsabilidades que lhe dizem respeito, dando início ao tratamento que melhor lhe convém, partindo de dentro para fora. Posteriormente e só então, far-se-á lícito que participe dos labores significativos do ministério mediúnico, na qualidade de observador, cooperador e instrumento, se for o caso”.

Existem processos obsessivos espirituais ferrenhos que emulam um ataque epiléptico devido à igualdade da manifestação. Igualmente sérios conforme as palavras de Manoel Philomeno, “ocorrência mais comum se dá quando o epiléptico sofre a carga obsessiva simultaneamente, graças aos gravames do passado, em que sua antiga vítima se investe da posição de cobrador, complicando-lhe a enfermidade, então com caráter misto”.

Independente do fato de o epiléptico estar sob um processo obsessivo ou não, é importante a frequência ao centro espírita para a reforma íntima e para receber aplicação de passes e fluidoterapia. Aliado com o tratamento espiritual, o epiléptico deve manter controle com a medicina terrestre e os medicamentos necessários.

O Fenômeno mediúnico e a Epilepsia

As ondas elétricas (ondas Sharp) detectadas no EEG de um médium durante o transe mediúnico podem sugerir uma crise de Epilepsia. O próprio Chico Xavier quando foi submetido ao EEG apresentou essas ondas.

Comentários de Chico ao resultado do eletro: “Os focos no meu cérebro seriam sinal de epilepsia, mas eu nunca tive acessos”.

Porém, cerca de 50% dos indivíduos epilépticos tem EEG normal fora das crises, e cerca de 20% da população normal apresentam anormalidades que podem ser compatíveis com epilepsia. O diagnóstico de epilepsia se baseia na presença de 2 ou mais crises epilépticas, mesmo o EEG sendo totalmente normal. O diagnóstico de epilepsia não pode ser firmado em alguém que nunca teve crises epilépticas, por maior que sejam as anormalidades encontradas no EEG.

E hoje a medicina já documentou vários casos de médiuns que levam uma vida normal sem nunca terem passado por crises epilépticas, embora os resultados de seus EEG durante os transes mediúnicos os pudesse caracterizar como epilépticos.

Carlos Pastorino em sua obra “Técnicas da Mediunidade”, nos ensina que os ataques obsessivos no epiléptico ocorrem sempre pelo seu “ponto fraco”, que é feita uma ligação espiritual completa entre o desencarnado e o encarnado que sofre as convulsões, e explica ainda que a fase de maior sofrimento é durante a aura onde o encarnado percebe a presença de seus obsessores e teme o perigo iminente.

No livro “O Mundo Maior”, escrito pelo espírito de André Luiz (médico), psicografado por Francisco Cândido Xavier, temos que “O fenômeno epileptoide muito raramente ocorre por meras alterações no encéfalo, como sejam as que procedem de golpes na cabeça, e, geralmente é enfermidade da alma, independente do corpo físico que apenas registra, nesse caso, as ações reflexas”.

Os reflexos da vida passada repercutem no corpo físico de hoje, formando o Carma no ponto de vista espiritual, o que pode caracterizar dois tipos de epilepsia: uma funcional, em que não existe lesão anatômica; e outra de difícil controle, em que há presença do obsessor e lesão maior de culpa. O livro dos espíritos, referindo-se aos relatos do Evangelho de Marcos e Lucas que falam de quadros epilépticos provenientes da ação de obsessores, Alan Kardec, afirma: “Sem dúvida que esses são os verdadeiros possessos (…) isto nunca ocorre sem que aquele consinta, quer por sua fraqueza quer por desejo; muitos epilépticos ou loucos, que mais necessitavam de médicos que de exorcismos, têm sido tomados por possessos”. Durante as sessões de Terapia Regressiva, já foram documentados inúmeros casos de obsessão e possessão espiritual responsáveis por crises de epilepsia nos pacientes, cujo tratamento terapêutico incumbe o tratamento de ambos, vítima e algoz.

Na obra “Recordações da Mediunidade”, psicografada pela médium Yvone Pereira, o médico Bezerra de Menezes, conta um caso de epilepsia que foi ocasionado pelo suicídio em vida passada: “As convulsões nada mais são do que vínculos mentais revivendo o passado (zona de remorso)”. André Luiz, na obra “Evolução em Dois Mundos”, psicografada por Chico Xavier, explica que “A zona de remorso é caracterizada por um estado anormal criado pela mente por falta de oportunidade de desabafo ou correção daquela falta grave, que fica calcada no espírito, provocando distonias diversas de uma encarnação para outra”.

Um dos casos mais famosos de epilepsia e possessão espiritual foi o de Anneliese Michel que deu origem ao filme “O Exorcismo de Emily Rose” em 2005. Aqui temos uma realidade cruel e dramática confrontada pela ciência e o espiritismo.

Vampirismo e Parasitismo espiritual

“Ação pela qual Espíritos involuídos, arraigados às paixões inferiores, se imantam a organização psicofísica dos encarnados (e desencarnados), sugando-lhes a substância vital.” (Martins Peralva – “Estudando a Mediunidade”.) .

“O parasitismo espiritual (ou vampirismo) é um processo grave de obsessão que pode ocasionar sérios danos àquele que se faz hospedeiro (o obsediado), levando-o à loucura ou até mesmo à morte.” (“Espiritismo de A à Z”, citando Suely Caldas Schubert, Obsessão/Desobsessão: profilaxia e terapêutica espíritas.)

O espírito André Luiz, na obra psicografada por Chico Xavier, “Nos Domínios da Mediunidade – (capítulo X) – Caso da Jovem Parricida (pág. 71 a 79) e Caso Pedro (capítulo IX), temos a citação “uma convulsão epiléptica o obsessor ligando-se a Pedro, seguindo-se convulsão generalizada tônico-clônica, com relaxamento de esfíncteres. O mentor Aulus afirma ser possessão completa ou epilepsia essencial e analisa que, no setor físico, Pedro está inconsciente, não terá lembrança do ocorrido, mas está atento em espírito, arquivando a ocorrência e enriquecendo-se.”

Em todas as nossas patologias ou problemas humanos há uma participação espiritual, em graus variados. Na epilepsia ou nos chamados “ataques” pode ocorrer uma ligação do enfermo com o espírito obsessor, ocorrendo uma verdadeira “incorporação” ou transe mediúnico. Existe sempre uma fragilidade orgânica cerebral, motivada pela alteração do modelo organizador biológico (perispírito) que traz lesões adquiridas em vidas pretéritas. Com o emprego de técnicas terapêuticas adequadas, temos conseguido a libertação espiritual do obsediado e de seu obsessor, e também o seu reequilíbrio energético e funcional, reabilitando-o para a sua caminhada.

Tratamento preventivo

Além do tratamento médico psiquiátrico e neurológico, a higiene mental ou a manutenção de pensamentos otimistas, fraternos e similares são importantíssimos no tratamento. Pensamentos negativos como raiva, ódio, inveja, ressentimentos e outros de baixa frequência, favorecem as crises pela sintonia com o obsessor.

O desenvolvimento mediúnico do epiléptico deve ser precedido pela sua espiritualização, pelo estudo sistematizado da doutrina espírita, pela mudança de ambiente psíquico e mudanças de hábitos visando sua reforma íntima.

O tratamento conjunto (médico + terapêutico + espiritual) irá controlar as crises e impedir a fixação da entidade enferma sobre o cérebro do paciente. O passe magnético será de suma importância para o reequilíbrio energético após as crises e fortalecimento preventivo.

Considerações finais

Este artigo, embora bem abrangente, está longe de pretender ser um tratado sobre a Epilepsia sob qualquer aspecto, seu objetivo foi apenas trazer algum esclarecimento à luz da Ciência e do Espiritismo, eliminar alguns mitos sobre o assunto, e dessa forma servir de material de apoio para pessoas que sofram desse mal e também à seus cuidadores e familiares.

Em termos científicos a medicina não considera a epilepsia uma doença psiquiátrica, mas sim, uma doença neurológica, que pode ser desencadeada também, por uma situação de stress psicológico. A língua não enrola e o paciente não é capaz de engoli-la. Não se deve em hipótese alguma introduzir os dedos dentro da boca do paciente, pelo risco de lesões graves nos dedos, e tampouco introduzir quaisquer objetos, pelo risco de lesões dentárias e gengivais graves. “O correto é virar o paciente de lado, protegê-lo, deixar que a saliva escorra e aguardar calmamente que a crise acabe, o que ocorre geralmente antes de 3 minutos”. A epilepsia é controlável e pode ter cura, desde que haja o correto tratamento e acompanhamento médico e espiritual.

As pessoas acometidas desse mal são normais e podem levar um vida NORMAL.

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Gratidão!

Moysés Araújo – Terapeuta Transpessoal

Atendimento à distância via skype: moyses.araujo.982 – Wapp: 32 988450395

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“A cura está ligada ao tempo e, às vezes, também, às circunstâncias.”- Hipócrates.

FONTES:

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Marco Tulio Michalick – A visão Espírita da Epilepsia – Revista Cristã de Espiritismo, edição nº 14, ano 2001.

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